OS PROCESSOS E EXPERIÊNCIAS CRIATIVAS DO CINEMA EXPERIMENTAL EM FOCO NA 9ª MOSTRA TIRADENTES | SP

“Processo de invenção: o trabalho e a poética do experimental” foi o tema do debate virtual realizado na noite desta terça, 23 de março. Clara Chroma, diretora de “Rodson ou (Onde o Sol Não Tem Dó)” | CE; Gustavo Jahn, diretor de “Oráculo” | SC e Luciana Mazeto, diretora de “Irmã” | RS discutiram os processos de criação de invenção em seus filmes, que integram a programação da 9a Mostra Tiradentes |SP. A medição foi de Lila Foster – curadora Mostra Tiradentes | DF.

Luciana Mazeto, diretora de “Irmã” recordou a experiência que ela, e o codiretor Vinícius Lopes, tiveram nos laboratórios de cinema analógico que participaram em Berlim e como isso se refletiu no longa-metragem. “Lá, encontramos outros filmes, outros realizadores, outras narrativas que nos influenciaram bastante. Isso levou a essa pesquisa de um cinema de ensaio, desse outro jeito de contar histórias. Utilizamos também a fantasia, mesmo que de forma sutil, como elemento fantástico. Acabamos trazendo esse experimentalismo para a linguagem e para a narrativa, para sair do lugar-comum de contar histórias”.

Para Clara Chroma, diretora de “Rodson ou (Onde o Sol Não Tem Dó)”, o experimentalismo é a maneira de fazer filmes do coletivo que dirigiu o longa. “É assim desde quando começamos. O mundo do cinema é muito complexo e muito hermético. O experimentalismo foi nossa ferramenta para conseguir produzir alguma coisa sem precisar ser tão complicado. E assim a gente acabou desenvolvendo nosso jeito de contar histórias”.

Clara evidenciou que “Rodson” é todo baseado na edição. “Gostaríamos de fazer um filme de milhões de dólares, com as coisas que gostamos. Como não temos esses recursos, fazemos assim mesmo, do jeito que dá. Grande parte do filme aparece na edição, sempre experimentamos nos efeitos e nunca sabemos muito bem no que vai resultar. Aproveitamos para experimentar o máximo possível e acabamos descobrindo coisas novas, efeitos que vão se desmembrando em outras coisas. É um processo meio ingrato, mas muito rico em conhecimento”.

Segundo a curadora Lila Foster, os longas “Oráculo” e “Rodson” têm muito em comum, mesmo sendo filmes tão distintos, pois trabalham com o quadro e com a interferência na construção de suas narrativas. Neste sentido, Clara Chroma explicou o processo de pesquisa das imagens para a produção. “Essa busca parte do que precisamos para contar nossa narrativa. Filmamos os blocos do filme e procuramos o que é necessário para fazer as conexões entre essas partes. Buscamos imagens para ilustrar a história, alterando e realterando as imagens. Utilizamos como princípio procurar imagens do Brasil, de lugares que conhecemos”.

Gustavo Jahn, diretor de “Oráculo”, salientou que trabalhar com o cinema experimental é bastante complicado, pois depende do contexto em que o filme está sendo feito. “Esse caminho vai acontecendo no processo. Partimos de algo que tem uma voz própria, que precisa ter sentido no contexto em que vivemos. É mais difícil fazer cinema experimental e ter uma carreira linear, fazer projetos e utilizar os meios de financiamento. Por isso, quando sentimos vontade de filmar, partimos para fazer da forma que for possível”.

O cineasta ressaltou também se identificar com a questão do filme se revelar na montagem. “Essa é uma das características do filme experimental. Temos essa vontade de testar, esse gosto grande pela descoberta. Isso é que nos faz continuar fazendo filmes, seguir filmando. Talvez seja a maneira possível de fazer filmes no Brasil na atualidade”.

Lila Foster destacou que, nos três longas-metragens, as equipes têm diferentes formas de organização, pois os diretores também são responsáveis pela montagem. “Isso proporciona que vocês possam interferir diretamente nessa dupla camada de imagem e som. Vocês pensam a imagem, dirigem e fazem o som, e com isso conseguem modular essas camadas”.

Segundo Gustavo Jahn, a maior parte do tempo da montagem de “Oráculo” foi com o tratamento do som. “Na produção do filme usamos um equipamento de som bem simples, quase precário. Tínhamos uma ideia de manter um som direto, para ter uma sensação de realidade. Concretamente essa realidade está ali, mas muito transformada e com certa descontinuidade. Foi um trabalho muito gratificante de fazer”.

A diretora de “Rodson ou (Onde o Sol Não Tem Dó)” afirmou que o som é muito importante para o processo de produção do grupo. “Temos uma influência forte da música experimental, do noise e do sintetizador. Antes e durante o processo do filme, o Clayton já estava fazendo umas músicas, pensando na trilha sonora. Eu, por outro lado, já faço as músicas depois, para ver o que é preciso para encaixar. Na montagem, desvirtuamos completamente o som. Escolhemos uma música que vai guiando o ritmo da montagem, das cores, dos cortes. As vezes fica ruim, as vezes dá um resultado ótimo. É um grande processo encontrar esse equilíbrio no som. Mas é muito libertador, muito prazeroso”.

Questionados sobre suas referências, principalmente no cinema nacional, Gustavo Jahn e Luciana Mazeto apontaram o Cinema Novo. Já para Clara Chroma, o grupo de diretores de “Rodson ou (Onde o Sol Não Tem Dó)” se considera herdeiro espiritual do cinema marginal.

Concluindo o debate, os cineastas salientaram a importância dos festivais para a circulação dos filmes. Clara Chroma, esclareceu que o grupo sempre colocou seus trabalhos na internet, por uma questão política. “Queremos ampliar o acesso aos filmes, pois achamos que todos precisam ter a oportunidade de assistir, mesmo quem, como nós, não tem condições de participar de festivais. Mas os espaços de exibição são muito importantes e sou a favor também de espaços menos convencionais para a exibição dos nossos trabalhos”.

Luciana Mazeto e Gustavo Jahn concordaram que os eventos de cinema em formato online possibilitaram que mais pessoas tivessem acesso aos filmes. Mas o diretor catarinense salientou sentir falta dos espaços e da experiência presencial de exibição. “Antes de sermos selecionados para a Mostra Tiradentes, e de tudo ser fechado por causa da pandemia, até pensávamos em promover uma turnê para mostrar o filme. É essencial termos em mente a importância do cinema presencial”.

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9ª Mostra Tiradentes |SP

18 a 24 de março de 2021

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